Te Encontrar .
As vezes me pergunto se te encontrarei em alguma dessas esquinas da vida. Fico imaginando e se a resposta fosse sim, como seria esse encontro? Será que me reconheceria? Lembraria desse sorriso que te fez perder o chão? E será que realmente fez perder o chão?
A vida é tão engraçada. Mais engraçados somos nós, que destrocemos o gozo da alegria. Mas calma! Voltemos ao encontro. Vire e mexe eu fico pensando no que falaríamos caso nos encontrássemos por essas avenidas do destino. Me convidaria para um café? Café é a minha bebida favorita, lembra? E falando em lembranças, será que conversaríamos sobre o passado? Sobre você? Sobre mim? Sobre nós? E se tocássemos no passado, citaríamos os momentos de alegria, euforia, amor ou os momentos de choro, tristeza e dor? Será que aquilo de que no fim damos risadas de tudo é realmente verdadeiro? De fato, tudo acaba em pizza?
E se tocássemos no passado, contaria sobre o presente? As consequências das nossas antigas escolhas estariam presentes entre nossas falas? Complicado falar de como estamos, não acha? Eu acho. Admitir que não estamos tão bem como deveríamos está ou cuspir a nossa felicidade como se o passado só tivesse trazido dores e angústias e de que nada serviu vivê-lo é complexo!
Mas calma! E se realmente nos encontrássemos em alguma dessas curvas do mundo? E se tomássemos sorvete em alguma praça? O seu sorvete seria de prestígio? Recordo-me muito bem que é seu sabor favorito. Sentaríamos próximos à algum pé de tamarindo? Eu ficaria catando essas frutas que tanto me define? ( Azeda ou doce. A escolha é sua). E se sentássemos em algum banco falaríamos do futuro? Dos nossos sonhos? Dos medos que eu tenho? Dos que você tem? Será que os sonhos e os medos continuam os mesmos? Nada mudou? Ah, mudou! E como tudo mudou.
Mesmo com as minhas incertezas, de certa eu sou: Tudo mudou.
Eu mudei. Você mudou. A vida mudou. O destino nos mudou.
As vezes eu fico me perguntando se uma dia, nessas pistas da vida irei te encontrar. Nossos olhos vão se cruzar? Vamos nos cumprimentar? Nos reconhecer? Um "Oi, tudo bem?" de nossas bocas sairá?
E se eu te encontrar no ponto de ônibus? Saindo de uma festa? Enquanto eu espero meu voo? Na fila do banco? Do mercado? Do pão? E se você for meu paciente? E se eu for a sua cliente? Talvez nos esbarremos. Talvez nos conhecemos. Mas será que faz sentido tudo isso?
Passou. Já foi. Não tem volta. Talvez nos encontremos, assim como talvez não te verei. Os anos passarão, a vida seguirá, nossos caminhos tortos não se cruzarão e viraremos a lembrança do passado antigo um do outro. A vida nos surpreende e talvez ela nos surpreenderá nos distanciando ainda mais. Sem café. Sem sorvete. Sem tamarindo. Sem futuro. Sem encontro. Sem desencontro. Apenas um Adeus. Sem volta. Estranho, né? As pessoas entram em nossas vidas, bagunçam e nunca mais as vemos. A vida é assim. Nós somos assim. Então deixa eu parar por aqui. O meu café está esfriando, assim como o passado. Assim como no nosso passado.
AUTORA: MARIANA RAYNAR




