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terça-feira, 1 de dezembro de 2015



Te Encontrar .
As vezes me pergunto se te encontrarei em alguma dessas esquinas da vida. Fico imaginando e se a resposta fosse sim, como seria esse encontro? Será que me reconheceria? Lembraria desse sorriso que te fez perder o chão? E será que realmente fez perder o chão?

A vida é tão engraçada. Mais engraçados somos nós, que destrocemos o gozo da alegria. Mas calma! Voltemos ao encontro. Vire e mexe eu fico pensando no que falaríamos caso nos encontrássemos por essas avenidas do destino. Me convidaria para um café? Café é a minha bebida favorita, lembra? E falando em lembranças, será que conversaríamos sobre o passado? Sobre você? Sobre mim? Sobre nós? E se tocássemos no passado, citaríamos os momentos de alegria, euforia, amor ou os momentos de choro, tristeza e dor? Será que aquilo de que no fim damos risadas de tudo é realmente verdadeiro? De fato, tudo acaba em pizza? 

E se tocássemos no passado, contaria sobre o presente? As consequências das nossas antigas escolhas estariam presentes entre nossas falas? Complicado falar de como estamos, não acha? Eu acho. Admitir que não estamos tão bem como deveríamos está ou cuspir a nossa felicidade como se o passado só tivesse trazido dores e angústias e de que nada serviu vivê-lo é complexo! 

Mas calma! E se realmente nos encontrássemos em alguma dessas curvas do mundo? E se tomássemos sorvete em alguma praça? O seu sorvete seria de prestígio? Recordo-me muito bem que é seu sabor favorito. Sentaríamos próximos à algum pé de tamarindo? Eu ficaria catando essas frutas que tanto me define? ( Azeda ou doce. A escolha é sua). E se sentássemos em algum banco falaríamos do futuro? Dos nossos sonhos? Dos medos que eu tenho? Dos que você tem? Será que os sonhos e os medos continuam os mesmos? Nada mudou? Ah, mudou! E como tudo mudou.

Mesmo com as minhas incertezas, de certa eu sou: Tudo mudou.
Eu mudei. Você mudou. A vida mudou. O destino nos mudou. 
As vezes eu fico me perguntando se uma dia, nessas pistas da vida irei te encontrar. Nossos olhos vão se cruzar? Vamos nos cumprimentar? Nos reconhecer? Um "Oi, tudo bem?" de nossas bocas sairá?

E se eu te encontrar no ponto de ônibus? Saindo de uma festa? Enquanto eu espero meu voo? Na fila do banco? Do mercado? Do pão? E se você for meu paciente? E se eu for a sua cliente? Talvez nos esbarremos. Talvez nos conhecemos. Mas será que faz sentido tudo isso?

Passou. Já foi. Não tem volta. Talvez nos encontremos, assim como talvez não te verei. Os anos passarão, a vida seguirá, nossos caminhos tortos não se cruzarão e viraremos a lembrança do passado antigo um do outro. A vida nos surpreende e talvez ela nos surpreenderá nos distanciando ainda mais. Sem café. Sem sorvete. Sem tamarindo. Sem futuro. Sem encontro. Sem desencontro. Apenas um Adeus. Sem volta. Estranho, né? As pessoas entram em nossas vidas, bagunçam e nunca mais as vemos. A vida é assim. Nós somos assim. Então deixa eu parar por aqui. O meu café está esfriando, assim como o passado. Assim como no nosso passado.

AUTORA: MARIANA RAYNAR


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Meu Querido "EX"

Hoje lhe escrevo para dizer-te que venhas buscar aqui, na minha humilde residência alguns pertences teus. 

Há neste local algumas lembranças que não cabe mais a mim guarda-las. Lembranças tuas. O teu perfume que invade as minhas entranhas com o teu cheiro. A tua sombra que me persegue constantemente em meus sonhos. O teu rosto que permanece em meu quarto, mesmo depois de ter queimado todas as tuas fotografias. A tua voz que cantarola em meu ouvido todas as manhãs. Por favor, venha busca-los. 

Escrevo-lhe também, para informar que estou bem. Aquela gripe de saudades não virou pnemonia. Aquela febre causada por tua ausência se foi. Descobri que o meu soro não era nada mais e nada menos que uma seringa de amor próprio. Oras, está vendo? Não precisei de uma bezetacil com uma dose de você. 

Digo-lhe também, que estou de partida. Sim, viajarei para um País chamado de Outro . Não outro amor, afinal amor permanece eterno e não precisa de mais um ponto no passaporte.

Antes que eu me esqueça, ela me telefonou. Cuspiu em cima de mim que irá lhe dar um filho, filho que nunca lhe dei. - Graças a Deus - . Derramou em mim que estão juntos, felizes e será para sempre. Baby, eu rolei de rir. Felizes, sempre e você em uma mesma frase ? É uma inequação errônea. Avise a ela para não me telefonar mais, não quero perder tempo com a nova pouca coisa do meu ex quase nada. 

Só pra reforçar, não seja egoísta e me esqueça. Não existe amor entre nós, então não me prenda em teus pensamentos imundos.

Enfim, com muito amor próprio, ódio e deboche, me despeço de você que já nem lembro mais o nome.

PS: Toma uma dose de amnésia, esqueça tudo aquilo que me disse e vira homem.
Atenciosamente, a mulher que te fez crescer e você deixou escorrer pelas mãos .








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