"ALICE DO PAÍS SEM MARAVILHAS ."
Estava tudo confuso, tudo bagunçado. Qual era a hora do começo? Qual era a hora do final? Quem estava certo? Quem estava errado? Os meses se passavam e aquela dor ainda continuava. Continuava também aquelas frases clichês de conforto, que não confortava nada. Aqueles incentivos de continuar, que só dava vontade de desistir. Desistir da faculdade, desistir dos amigos, da família, das viagens.
Desistir daquele plano de rir das piadas sem graça, de agradecer mesmo sem gostar, de dizer sim quando queria dizer não, de ser o que já não suportava ser. Acordar todos os dias com a incerteza das suas escolhas, do seu mundo, do que realmente queria. No mundo de Alice nada era maravilha.
Desistir daquele plano de rir das piadas sem graça, de agradecer mesmo sem gostar, de dizer sim quando queria dizer não, de ser o que já não suportava ser. Acordar todos os dias com a incerteza das suas escolhas, do seu mundo, do que realmente queria. No mundo de Alice nada era maravilha.
Seus problemas passavam de um coelho apressado, um chapeleiro maluco e uma rainha de copas má. Seu problema tinha nome e sobrenome. Tinha também endereço e o seu endereço, infelizmente, batia com o dela. Residenciar no mesmo prédio que aquele importuno não era uma boa forma de esquecer o que não devia ter começado.
Como sair de casa sem lembrar as loucuras vividas naqueles corredores, naqueles elevadores, naquele terraço? Como esquecer enquanto saía pra faculdade que todo aquele condomínio fora palco do seu amor, mas também do seu desamor? Fugir dali era a melhor saída, pegar o primeiro metrô de volta para o seu interior pacato era o melhor jeito. Uma boba e inocente menina do interior, perdida nos mistérios da cidade grande. Mistério alto, loiro, olhos castanhos e sotaque engraçado. Com um metro e oitenta e um sorriso encantador. Mistério que a deixara embaraçada desde o primeiro dia que o viu, que a encantou com a sua coleção de MPB, que tocava Paralamas enquanto sorria e a olhava. Mistério que deu para uma estrela o seu nome, que a levou para conhecer o mar, que fez amor na praia, abaixo da luz do luar e das estrelas, que prometera amor eterno e depois de três meses desfilava pelas ruas com outra. Outra garota boba e inocente do interior, cuja qual ele iria deixar embaraçada e encantada com a sua coleção de MPB. Garota que ouviria tocá-lo Paralamas, enquanto admirava seu sorriso. A uma nova estrela ele daria o nome dela e esta mesma garota, conheceria o mar ao lado dele, ali mesmo fariam amor, e logo, esta daria espaço pra mais uma nova garota boba e inocente do interior, a quem este mistério problemático prometeria amor eterno. Era apenas mais uma cama de gato! Era simplesmente uma ilusão!
Como sair de casa sem lembrar as loucuras vividas naqueles corredores, naqueles elevadores, naquele terraço? Como esquecer enquanto saía pra faculdade que todo aquele condomínio fora palco do seu amor, mas também do seu desamor? Fugir dali era a melhor saída, pegar o primeiro metrô de volta para o seu interior pacato era o melhor jeito. Uma boba e inocente menina do interior, perdida nos mistérios da cidade grande. Mistério alto, loiro, olhos castanhos e sotaque engraçado. Com um metro e oitenta e um sorriso encantador. Mistério que a deixara embaraçada desde o primeiro dia que o viu, que a encantou com a sua coleção de MPB, que tocava Paralamas enquanto sorria e a olhava. Mistério que deu para uma estrela o seu nome, que a levou para conhecer o mar, que fez amor na praia, abaixo da luz do luar e das estrelas, que prometera amor eterno e depois de três meses desfilava pelas ruas com outra. Outra garota boba e inocente do interior, cuja qual ele iria deixar embaraçada e encantada com a sua coleção de MPB. Garota que ouviria tocá-lo Paralamas, enquanto admirava seu sorriso. A uma nova estrela ele daria o nome dela e esta mesma garota, conheceria o mar ao lado dele, ali mesmo fariam amor, e logo, esta daria espaço pra mais uma nova garota boba e inocente do interior, a quem este mistério problemático prometeria amor eterno. Era apenas mais uma cama de gato! Era simplesmente uma ilusão!
Deixar tudo para trás era a escolha de Alice do País sem maravilhas! Ela desejava sentada em frente ao mar, cair de vez em um poço profundo, conhecer pessoas estranhas e impossíveis de existir, mas que a trataria bem, dizendo que ela era a Alice de anos atrás e que voltara para derrubar um monstro. Seus pais estavam enganados ao por este nome nela. Não era princesa. Não era guerreira. Não era a prometida. Era somente uma boba e inocente menina do interior.
Voar em pensamentos, dar asas a sua imaginação, lembrar dos momentos, sentir lágrimas rolarem, dá Adeus ao mundo que ela tanto desejara, mas que não servia para ela. Voar alto e acabar dando de cara com o seu mistério problemático vindo em sua direção. Respirar fundo e abaixar a cabeça. Difícil encará-lo. Perceber que ele passou direto ao encontro de mais uma garota, talvez boba e inocente, talvez do interior, mas, mais uma garota.
Alice sabia que para ele, ela tinha sido apenas mais uma, mas ele não foi. Ele foi O Cara, ele foi O Tal. O cara que ela não ia esquecer, afinal, O Tal ali havia ensinado a ela, que uma garota boba e inocente do interior ou uma garota boba e inocente da cidade grande tem que ter cuidado com esse tipo certo de garoto errado.
Dizer adeus a praia, a cidade dos seus sonhos, ao seu condomínio. Dizer adeus a ele, seu desamor que nem se quer lembrava mais dela e que eram vizinhos de apartamento. Dizer adeus a uma Alice boba. Tentar encarnar a garota esperta e curiosa do conto de Lewis Carroll e jamais esquecer que não precisa ser uma fábula para as histórias vividas ter uma lição de moral.
Ah, Alice da vida real ! Aprende que nem todo cara é um príncipe e às vezes a história fica mais divertida sendo contada por um lobo mal.
AUTORA: MARIANA RAYNAR




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